segunda-feira, abril 20, 2015

Choosing Wisely Brasil

Não, não voltei atrás na minha decisão de afastamento da discussão sobre conflitos de interesses na Medicina. Até pensei que, mesmo sem uma postura ativa em relação ao tema, iria continuar lendo muito sobre ele. Mas até isto tenho feito cada vez menos. Ando, cada vez mais, incomodado com a mistura de pautas ideológicas ou políticas. No Gracias e Medicos Sin Marca instigaram recentemente discussão importante (sobre mais um caso de possível corrupção corroendo a ciência médica) através do título Bio-capitalismo en acción. Assim tornarei-me (sim, eu também) impermeável a este debate.

Se a tentativa de dar uma moldura ideológica para tudo o que se quer apoiar ou destruir está presente em muitos espaços de disputa, neste especificamente anda insuportavelmente gritante. E com muitos "anti-capitalistas" suficientemente caras de pau para, nada mais, nada menos, estarem pura e simplesmente buscando o lucro, combatendo o lucro. São inúmeros os exemplos, de vendedores de palestras e livros, a de produtos "naturais" e similares.

No fundo sempre valorizei esta discussão pelo resultado, que é a utilização de recursos desnecessários na saúde e suas múltiplas consequências negativas. Então mais recentemente vinha pensando em como continuar ajudando, mas de outra forma - com mais retorno pessoal, e com mais alcance. Conversando sobre isto com John Bulger, quem eu trouxe ao Brasil em 2014 para falar da Choosing Wisely Hospital Medicine, disse ele: "Quem sabe não investes na Choosing Wisely Brasil?"



Bulger concordou que os médicos dividem-se - com exceções, é claro - entre os impermeáveis ao debate sobre conflitos de interesse (maioria) e os convencidos de que a indústria farmacêutiva, os fármacos e a inovação tecnológica devem deixar de existir (minoria radical). Concordou que as sociedades médicas são o espelho da maioria dos médicos. Mas lembrou que a Choosing Wisely, ao dar o protagonismo às sociedades de especialidades, permite que minimize-se a utilização de recursos desnecessários na saúde, com potencial impacto global, mesmo considerando que as organizações escolham por tanginciar determinadas áreas ou assuntos, nas quais tenham conflitos de interesses mais relevantes, por exemplo. Como não acredito em mundo perfeito, como nunca imaginei resolver a utilização de recursos desnecessários na saúde, resolvi avançar na discussão com Bulger, que colocou-me em contato com Wendy Levinson, líder da Choosing Wisely International.

Para ser lançada ainda em abril de 2015, a Choosing Wisely Brasil surge como um projeto colaborativo, parceria minha com Luis Claudio Correia e Gustavo Gusso. O primeiro é co-fundador desde Blog, cardiologista, autor do Blog Medicina Baseada em Evidêncas e recém definido coordenador do programa choosing wisely da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Gusso é diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade. A Choosing Wisely Brasil será uma iniciativa facilitada pelo Proqualis e protagonizada por sociedades de especialidades brasileiras, tendo SBC e SBMFC já comprometidas a emitir suas recomendações.

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